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Escrituras Sagradas: a breve história da Bíblia e suas traduções

Agindo como guia na formação de diversas eras, os livros contidos na Bíblia ainda são muito influentes, nos levando a olhar para a sua história e buscar o sentido original da Palavra.


 

Antigo Testamento

Por volta do século X a.C. o rei Davi unificou o povo hebreu após o êxodo hebraico e, a partir de então, histórias que antes eram passadas oralmente começaram a tomar a forma escrita. Assim surgiu o Antigo Testamento.

O Antigo Testamento, conhecido como Pentateuco pelos cristãos e Torá pelos judeus, é um cânone de 46 livros que narra o início do mundo e do homem, a relação de Deus com o povo judaico e suas leis e crenças na antiga Terra de Canaã além de profetizar a vinda do Messias.

Os cinco primeiros livros foram atribuídos a Moisés. Foi um trabalho árduo e minucioso que levou séculos para ser completado – foi escrito por diversas pessoas ao longo do tempo. Uma maneira encontrada pelos estudiosos para justificar a cooperação entre diversos autores são as diferentes designações dadas a Deus, alguns preferindo chamá-lo pelo seu nome Yahweh (Jeová), outros pelo seu título Elohim (Deus). Por conta das divergências no estilo de escrita, os autores da primeira parte do Antigo Testamento, que chamavam Deus de Yahweh, receberam o apelido de Javistas. Já os que o chamavam de Elohim na segunda parte do Pentateuco, foram apelidados de Eloístas.

O Pentateuco passou por diversas alterações antes de sua finalização. Esdras, um religioso que liderava um grupo de sacerdotes, decidiu que alguns trechos precisavam ser alterados e outros criados. Assim, ditaram novas regras dentro de seus livros, proibindo, por exemplo, o casamento entre hebreus e não-hebreus. Mais tarde, a Igreja Católica retirou o livro III e IV de Esdras e a Oração de Manassés do Testamento por considerá-los não-canônicos.

Com a finalização do Pentateuco, por volta do século II a.C., as Escrituras Sagradas foram disseminadas pelo Oriente Médio. Para isso, sua tradução foi imperativa a fim de que todos pudessem acessar a Palavra e vontade de Deus – o rei Ptolomeu II, de Alexandria, ordenou que um grupo de 72 tradutores realizassem a versão do Antigo Testamento para o dialeto grego coiné. Essa tradução ficou conhecida como Septuaginta e foi usada como base direta para muitas traduções posteriores do cânone.

 

Novo Testamento

Ano 1, nasce a criança prometida, profetizada no Pentateuco. Jesus, ao longo de toda sua vida, pregou ensinamentos de compaixão, de conduta e de moral. Após a morte do Messias, seus seguidores e adoradores compreenderam a importância de sua vinda e decidiram que era necessário perpetuar seus feitos em papel. Composto por 27 livros, os quais são divididos em quatro partes, o Novo Testamento foi concebido tendo como autores Paulo de Tarso e alguns dos apóstolos de Cristo, e também foi escrito no dialeto grego coiné.

O Novo Testamento conta a vida de Jesus e seus ensinamentos para o povo e para a Igreja, criando um verdadeiro guia de conduta para os fiéis. Nos Evangelhos é possível ler as obras realizadas por Cristo até o momento de sua morte. Nos Atos dos Apóstolos são encontrados os primeiros passos da Igreja e a disseminação do Evangelho até Roma. Nas Epístolas são encontradas as doutrinas para a Igreja e para indivíduos que necessitavam de orientação. E, por fim, no Apocalipse, que costuma ser interpretado com o livro do fim dos tempos, conta-se as profecias de Jesus reveladas a João, informando, inclusive, sua volta para arrebatar aqueles que se mantiverem fiéis a ele à sua Palavra.

 

Traduções da Bíblia

Além da Septuaginta, a tradução para o grego mencionada acima, houve diversas outras traduções dos textos sagrados, cada uma com sua história.

Entre o final do século IV e início do século V, São Jerônimo traduziu a Bíblia do hebraico, grego e aramaico para o latim a pedido da Igreja Católica. Essa tradução, conhecida como Vulgata, veio a se tornar a versão oficial da Bíblia Católica por consenso no Concílio de Trento, em 1546. Para realizá-la, São Jerônimo foi enviado a Jerusalém para aprender hebraico a fim de realizar a tradução diretamente da língua original. Inclusive, em sua tradução de Êxodo, ao tratar da face de Moisés, São Jerônimo equivoca-se com o sentido do termo hebraico karan, que pode significar tanto chifres, quanto raio de luz, e traduz, então, o trecho sobre a face iluminada de Moisés, erroneamente, dando um sentido até cômico para o texto ao dizer que a face de Moisés possuía chifres. Esse fato foi o que levou Michelangelo a colocar chifres na sua famosa escultura do Profeta.

John Wycliffe, pensador inglês, acreditava que por meio da alfabetização podia-se libertar as classes submetidas, e, compreendendo a importância das Escrituras Sagradas, pôs-se a traduzir a Bíblia para o inglês. Porém, como tal tradução foi feita de forma não-autorizada e Wycliffe tinha suas desavenças com a Igreja Católica (considerava-a corrupta em sua época), sua versão da Bíblia foi proibida e Wycliffe foi julgado e condenado à prisão domiciliar. Morreu anos mais tarde e teve seus restos queimados a mando do Papa para evitar que seu túmulo fosse reverenciado.

Entre os anos de 1522 e 1534, Martinho Lutero se dedicou a traduzir o Antigo e o Novo Testamento para o alemão. Líder da reforma protestante e refugiado em Wittenberg por esse motivo, Lutero tinha o objetivo de tornar as Escrituras acessíveis aos cidadãos alemães de origem simples, por isso conduziu sua tradução na linguagem comum falada por esses alemães nas ruas e em casa. Sua tradução da Bíblia ajudou a unificar o idioma alemão moderno.

Ainda no século XVI, William Tyndale também se propôs a traduzir a Bíblia para o inglês, mas em uma versão atualizada. Como a imprensa estava a todo vapor na Europa, a tarefa se tornou mais fácil e rapidamente as cópias foram distribuídas. Porém, como sua tradução era, assim como a de Wycliffe, uma versão não-autorizada, Tyndale foi perseguido durante muito tempo, até que finalmente foi capturado e condenado à fogueira em 1536. Em 1604, o rei James I da Grã-Bretanha encomendou uma nova versão da Bíblia em inglês, mas ela não contava com nada de novo, apenas uma junção entre as edições realizadas por Wycliffe e Tyndale. Essa “nova versão” é a famosa King James Bible.

No século XVII, o pastor e missionário português João Ferreira de Almeida começou a traduzir a Bíblia ainda muito jovem. O português era uma língua franca para o comércio entre a Europa e o Oriente, portanto, era muito importante que houvesse uma versão para esse idioma. Seu trabalho como tradutor da Bíblia durou sua vida inteira, entre revisões e autorizações por representantes autorizados da Igreja, Almeida veio a falecer antes mesmo de conseguir terminar a tradução do Antigo Testamento – tarefa que começou na vida adulta e que, após sua morte, foi concluído pelo pastor holandês Jacobus op den Akker. A publicação da Bíblia completa em português só foi feita em 1819, mas passou por revisões mais tarde, tendo a versão Revista e Corrigida saído em 1898 na Europa, a Revista e Atualizada em 1959 no Brasil pela Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) e, mais recente ainda, em 2017, a edição Nova Almeida Atualizada, lançada também pela SBB.

Em 2019 foi lançada uma nova versão da Bíblia em Portugal, dessa vez traduzida diretamente dos idiomas originais em vez de apenas uma revisão das edições existentes na língua. Chamada de Os Quatro Evangelhos e Salmos, o trabalho teve início em 2012 e, concluído em 2019, foi lançado pela Conferência Episcopal Portuguesa (CEP).

A Bíblia completa já foi traduzida para mais de 700 idiomas. Passou por inúmeras revisões e ganhou diversas edições. Algumas frases e ensinamentos presentes do livro se popularizaram tanto que viraram até provérbios usados no nosso dia a dia, como a frase “é preciso separar o joio do trigo”, que significa saber distinguir o que é bom do que não é.

Uma edição que vale a pena ser mencionada é a chamada O Livro da Vida, lançada pela Sextante. Feita a partir da Nova Versão Transformadora (NVT), a edição diferencia-se por não obter divisões por capítulos e versículos, sendo lida como um romance ou livro histórico, como expõe a sinopse do livro. O objetivo é tornar a leitura mais fácil de ser compreendida, alcançando inclusive os mais jovens que desejam conhecer a Bíblia, mas se intimidam pela complexidade das Escrituras Sagradas.

 

Texto: Natasha Borges e Raquel Moratto
Edição: Caroline Randmer

 

FONTES:
https://epoca.oglobo.globo.com/cultura/noticia/2017/02/traducoes-da-biblia-aposentam-vocabulario-arcaico-e-apostam-na-coloquialidade.html
https://estiloadoracao.com/origem-da-biblia/
https://super.abril.com.br/historia/quem-escreveu-a-biblia/
https://www.bbc.com/portuguese/geral-48403194

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